"Risadinha de desespero", diz trompetista que tocou marcha fúnebre para Bolsonaro
Em entrevista ao OP News, Fabiano Leitão afirma que manifestação durante fala do ex-presidente foi em memória aos que tombaram durante a ditadura
Após a sessão desta quarta-feira, 26, no STF, enquanto o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) concedia entrevista na saída do Senado, um trompetista tocou a marcha fúnebre e a música que diz "Tá na hora do Jair, já ir embora", que ficou muito famosa durante a campanha presidencial de 2022, sendo cantada pelos adversários de Bolsonaro.
Quem estava tocando
Figura bastante conhecida no Congresso, o músico chama-se Fabiano Leitão e trabalhou em gabinetes de parlamentares petistas. Ele participou da 1ª edição do OP News desta quinta-feira, 27.
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Fabiano afirmou ser filiado e militante do Partido dos Trabalhadores (PT). Ele explicou que a manifestação foi em memória aos que tombaram na ditadura. "Esse é um recado para quem não acredita na Justiça desse país. Muitos dos nossos sequer chegaram a ter esperança desse momento, mas esse momento chegou. É o primeiro passo que a Justiça desse país se reconcilia com a história do nosso povo", afirmou.
Desespero
Quando Fabiano começou a tocar, Bolsonaro interrompeu a fala, deu uma risada e brincou que o toque da trombeta lembrava seus tempos de serviço militar. Para o músico, porém, a risadinha teve outro motivo.
"Eu vi que o Bolsonaro deu uma risadinha, quando eu comecei a tocar. Essa risadinha aí é de desespero, porque ele sabe que a justiça dele vai chegar. E quem sabe faz a hora e espera acontecer", rebateu.
Fabiano contou ainda que policias tentaram impedir sua apresentação, mas que não estava infligindo lei alguma. "É um momento triste para a nossa democracia. Eram dois policiais legislativos que, infelizmente, desconhecem as leis, porque se você olhar bem nas imagens, eu estava bem distante, em uma via pública, eu estava no estacionamento do Senado. Eu me coloquei em um local onde eu poderia tocar, então eles poderiam ter agido contra mim se eu estivesse lá dentro do Congresso, interrompendo os trabalhos, como eles falaram", comentou.
Confira o momento em que Fabiano interrompe a entrevista de Bolsonaro
Por eles, pela democracia
Por fim, Fabiano afirmou que a manifestação ali era, inclusive, pelos policiais que o abordaram, apesar de eles não terem esse entendimento.
"Eu estava, inclusive, ajudando a democracia. Os trabalhadores do Congresso, sendo do Senado ou da Câmara, eles têm que escutar as livres manifestações democráticas, como se tivesse um carro de som ali. Eu fico triste porque são trabalhadores, igual a este que vos fala. Eu estava ali também por eles, que foram agredidos no dia 8 (de janeiro de 2023), que correram risco de vida. É a tristeza por eles não entenderem o porquê que a gente luta. Por eles", concluiu.