Tarifa sobre carros importados deve aumentar preço nos EUA

Tarifa sobre carros importados deve aumentar preço nos EUA

Autor DW Tipo Notícia

Trump anuncia taxa de 25% sobre automóveis e peças importados para tentar estimular a produção automotiva nos EUA. Canadá, México, União Europeia e Japão ameaçam contraofensiva.O presidente Donald Trump anunciou nesta quarta-feira (26/03) uma tarifa de 25% sobre automóveis e peças importados, aumentando as tensões com seus principais parceiros comerciais – Canadá, México, China, Japão e Europa – e o risco de uma escalada da guerra tarifária. A medida vai entrar em vigor em 3 de abril e incidirá sobre carros e caminhões leves enviados para os Estados Unidos. Peças automotivas também serão afetadas, dentro de um mês. "Este é o começo do Dia da Libertação da América", disse Trump, ao assinar a medida. "Se você construir seu carro nos Estados Unidos, não haverá tarifas." Para ele, a medida deve incentivar empresas automobilísticas e seus fornecedores a se estabelecerem nos Estados Unidos – o que depende de investimentos e não acontece da noite para o dia. As tarifas devem, portanto, atingir tanto as marcas estrangeiras quanto as americanas, que fabricam alguns de seus veículos no Canadá ou no México, favorecidas por acordos comerciais. Tendo isso em vista, analistas apontam que a barreira tarifária deve aumentar preços para os consumidores, sobretudo os americanos, e desestruturar cadeias de suprimento. No início de março, Trump suspendeu por um mês as tarifas sobre os automóveis vindos do México e do Canadá, com o recado de que as montadoras deveriam começar a mudar a produção para os Estados Unidos, animando os mercados. Após o anúncio das tarifas desta quarta, as ações das principais montadoras caíram – inclusive as da Tesla, de Elon Musk, o conselheiro mais notório de Trump. A montadora chegou a declarar, em comunicado sem assinatura, que as tarifas podem prejudicar seus negócios. Quase metade dos carros vendidos nos Estados Unidos é fabricada fora do país. Desse total, cerca de metade vem do México e do Canadá. O Japão, a Coreia do Sul e a Alemanha também estão entre os principais fornecedores. Mesmo as unidades fabricadas nos EUA sentirão o impacto do tarifaço – quase 60% das peças dos carros montados nos EUA vêm de fora. Jonathan Smoke, economista-chefe da Cox Automotive, uma empresa de pesquisa de mercado, estimou ao jornal The New York Times que uma tarifa de 25% sobre os produtos do México e do Canadá acrescentaria 3.000 dólares (aproximadamente R$ 17.220) ao custo de um carro fabricado nos Estados Unidos, dada a dependência das montadoras de componentes importados. As tarifas também implicam custos adicionais para ampliação do parque industrial, o que também pode prejudicar o setor ao reduzir lucros e vendas e trazer mais riscos para uma recessão, avaliam especialistas. Países preparam contraofensiva O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ao encerrar sua viagem de quatro dias ao Japão, criticou o protecionismo de Trump, afirmando que a própria economia americana será prejudicada, com o aumento da inflação e das taxas de juros. "Se ele [Trump] está pensando em taxar tudo o que os Estados Unidos importam, isso será prejudicial para os Estados Unidos. Vai elevar os preços das coisas e causar uma inflação que ele não percebe", disse. Lula afirmou que vai recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC) contra as tarifas de 25% impostas ao aço – o Brasil é o maior exportador – e que também avalia taxar produtos americanos. "Se não tiver resultado, a gente vai utilizar os instrumentos que nós temos que é a reciprocidade e taxar os produtos americanos. É isso que nós vamos fazer. Espero que o Japão faça o mesmo. Espero que o Japão possa recorrer à OMC, mas é uma decisão soberana do governo japonês em que eu não posso dar palpite", disse Lula. O secretário-chefe do Gabinete do Japão, Yoshimasa Hayashi, disse que a decisão de Trump sobre as tarifas automotivas foi "extremamente lamentável". Cerca de 6% do total das exportações do Japão são carros enviados para os EUA. No caso da Coreia do Sul, essa fatia é de 4%, o que mostra o impacto que a medida terá sobre essas economias, de acordo com dados da Moody's Analytics. A China, por sua vez, tem respondido à escalada tarifária de Trump com tarifas de até 15% sobre várias exportações agrícolas dos EUA. O país também ampliou o número de empresas americanas sujeitas a controles de exportação e outras restrições. União Europeia quer aumentar tarifas A União Europeia (UE) deve "responder com firmeza" às tarifas de importação de automóveis, defendeu o ministro da Economia alemão, Robert Habeck. "Deve ficar claro que não cederemos aos Estados Unidos. Precisamos mostrar força e autoconfiança", disse Habeck. Ele classificou as tarifas como "más notícias para as montadoras alemãs, para a economia alemã, para a UE, mas também para os EUA". O ministro das Finanças da França, Eric Lombard, afirmou que "a única solução para a União Europeia será aumentar as tarifas sobre os produtos americanos em resposta". "Pedimos ao presidente Trump que considere o impacto negativo das tarifas não apenas sobre as montadoras globais, mas também sobre a produção doméstica dos EUA", disse Sigrid de Vries, diretora geral da Associação Europeia de Fabricantes de Automóveis (ACEA). A associação pede "diálogo" para evitar uma guerra comercial, o que desgastaria ainda mais o setor automotivo europeu, um gigante que emprega 13 milhões de pessoas e responde por 7% da economia do bloco, mas que enfrenta uma dura concorrência com a China. De acordo com o órgão, os fabricantes europeus exportam entre 50% e 60% de sua produção para os EUA. Canadá e México na mira "Esse é um ataque muito direto", afirmou o primeiro-ministro canadense Mark Carney. "Defenderemos nossos trabalhadores. Defenderemos nossas empresas. Defenderemos nosso país." Carney anunciou anteriormente um "fundo de resposta estratégica" para proteger empregos canadenses no setor automotivo afetados pelas tarifas de Trump. A presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, disse que seu país responderia com suas próprias tarifas retaliatórias sobre os produtos americanos, sem especificar os produtos visados imediatamente – sinalizando uma esperança de negociação. sf/cn (AP, AFP, Reuters, ots)

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