Rússia intensifica ataques na Ucrânia às vésperas da decisão da UE

A Rússia intensificou nesta segunda-feira (20) os ataques contra as regiões de Kharkiv e Donetsk, no nordeste e leste da Ucrânia, poucos dias antes de os 27 países da União Europeia (UE) discutirem a candidatura de Kiev ao bloco.

No início de uma semana de intensa atividade em torno da candidatura da Ucrânia ao bloco europeu, o chefe da diplomacia da UE, Josep Borrell, afirmou que a Rússia está cometendo um "verdadeiro crime de guerra" ao bloquear as exportações de cereais e grãos ucranianos.

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No mesmo tópico, o presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, acusou a Rússia de fazer a África de "refém" ao bloquear as exportações de grãos.

"A África é refém de quem começou a guerra contra nosso Estado", disse o presidente ucraniano em um discurso por videoconferência diante da União Africana (UA), lamentando que o nível "injusto" dos preços dos alimentos "provocado pela guerra russa [...] está sendo notado dolorosamente em todos os continentes".

No entanto, a porta-voz da diplomacia russa, Maria Zajarova, garantiu que a possibilidade de fome "é culpa dos regimes ocidentais, que atuam como provocadores e destrutores".

Em um momento de crescentes temores pelas consequências da invasão nos preços dos alimentos, a Alemanha organiza na sexta-feira uma reunião internacional sobre o assunto, que contará com a participação do chefe da diplomacia dos Estados Unidos, Antony Blinken.

Os 27 países da UE se reúnem na quinta e sexta-feira para decidir se o país pode receber o status de candidato a membro do bloco, decisão que deve ser tomada por unanimidade.

Nesta segunda-feira "começa uma semana realmente histórica", afirmou Zelensky no domingo em seu discurso diário.

"Obviamente esperamos que a Rússia intensifique seus ataques esta semana", alertou o presidente ucraniano. "Nosso exército resiste", afirmou.

Em seu relatório matinal, a Presidência da Ucrânia informou que há um aumento dos bombardeios na região de Kharkiv e dos ataques "em toda a linha do fronte" em Donetsk, no leste, onde foi registrado um morto e sete feridos.

No Donbass, a cidade de Severodonetsk concentrou a ofensiva para assumir toda esta bacia de mineração oriental, parcialmente controlada por separatistas pró-Rússia desde 2014.

"Os russos controlam a maioria dos bairros residenciais" de Severodonetsk, mas "se você contar toda a cidade, mais de um terço ainda é controlado por nossas forças armadas", disse o chefe da administração municipal, Oleksandr Striuk.

Serguei Gaidai, governador de Luhansk, uma das regiões que compõem o Donbass, confirmou na televisão a queda no controle russo de Metiolkine, na periferia de Severodonetsk.

No fronte sul, o exército ucraniano afirma que as forças russas "não conseguem avançar no terreno" e apenas continuam com os bombardeios.

Por sua vez, a Rússia acusou as forças ucranianas de terem atacado plataformas de perfuração de petróleo no mar da península da Crimeia.

"Nesta manhã, o inimigo atacou as plataformas de perfuração da Chernomorneftegaz", indicou no Telegram o governador da região, Serguey Aksyonov, nomeado pela Rússia após a anexação da Criema em 2014. "Confirmamos que há três feridos e sete desaparecidos e garantimos que a busca continua", acrescentou.

As consequências da guerra continuaram sendo notadas mais além das fronteiras da Ucrânia, com a Rússia ameaçando a Lituânia, membro da UE, por suas restrições "abertamente hostis" ao trânsito de mercadorias por ferrovia até o enclave russo de Kaliningrado.

O Ministério russo de Relações Exteriores afirmou que, caso o trânsito de bens entre Kaliningrado e o resto do país não seja totalmente restabelecido, Moscou "reserva o direito de agir para defender seus direitos nacionais".

Tanto a Lituânia como o chefe da diplomacia europeia, Josep Borrell, afirmaram que a medida se ajusta às sanções ordenadas pela União Europeia contra Moscou.

Por sua parte, a Turquia deu um novo golpe nas esperanças da Finlândia e da Suécia de aderirem em breve à Otan, ao afirmar que a cúpula da Aliança da próxima semana em Madri não garante um prazo para decidir sobre esses pedidos.

O chefe da Otan, Jens Stoltenberg, afirmou que as negociações entre Turquia, Suécia e Finlândia em Bruxelas foram "construtivas" mas admitiu que a Turquia tem "preocupações legítimas".

A Turquia acusa os dois países nórdicos de abrigar militantes do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), classificado como "terrorista" pela Turquia e seus aliados ocidentais.

Por outro lado, o presidente americano, Joe Biden, disse que é "improvável" que visite a Ucrânia durante a viagem que fará pela Europa no final dessa semana.

Contra a UE, a Rússia usa seus hidrocarbonetos como arma e cortou o fluxo de gás para vários países na semana passada.

Em contraste, as importações russas de petróleo para a China aumentaram 55% em maio, em comparação com o ano passado.

Em uma tentativa de reduzir a dependência da Rússia e para reduzir o consumo de gás, a Alemanha recorrerá às usinas de carvão.

"É amargo, mas é indispensável", disse o ministro da Economia, o ambientalista Robert Habeck. O governo, no entanto, disse nesta segunda-feira que essa medida é "limitada" e que a promessa de abandonar o carvão antes de 2030 será cumprida.

A Áustria também anunciou no fim de semana a reativação de uma usina de carvão fechada em 2020.

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