Policial penal morto no Centro de Fortaleza: mais três são denunciados
Eles estariam em um carro que deu suporte ao assassinato de José Wendesom Rodrigues de Lima em 28 de janeiro. Outros dois suspeitos do crime já haviam se tornado réus
A Justiça aceitou, nessa quarta-feira, 26, denúncia do Ministério Público Estadual (MPCE) contra mais três homens acusados de matar o policial penal José Wendesom Rodrigues de Lima, de 37 anos, crime ocorrido no último dia 28 de janeiro no Centro de Fortaleza.
Conforme a acusação, Rafael Brasil da Silva, o "Rafinha", de 44 anos, e Roberto Júnior Pereira Proença, o "Júnior", de 25 anos, estavam na caminhonete modelo Toyota Hilux SW4 que deu apoio aos executores do crime.
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Já em relação a Francisco Gleydson Rodrigues da Costa, que tem 44 anos e é conhecido pelo apelido de Americano, câmeras de vigilância mostraram o momento em que ele deixou essa Hilux, um dia após o crime, em um estacionamento do bairro Meireles.
A investigação do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) também identificou que o carro modelo Toyota Hilux SR 2.8 Pick-Up entregue como parte do pagamento pela aquisição da SW4 estava no nome da companheira de Francisco Gleydson. Este ainda teria mandado um outro homem buscar a caminhonete após o veículo ser deixado no Meireles.
No veículo, a Polícia encontrou a chave do apartamento locado por Rafael na Praia de Iracema. Depoimento de um suspeito preso ainda em flagrante também indicou Rafinha e Júnior como parte do grupo que prestou apoio à execução.
“Através das imagens coletadas e analisadas referentes ao dia do crime (28 de janeiro de 2024), detectou-se toda a movimentação dos denunciados “RAFINHA”, “AMERICANO” e “JÚNIOR”, sendo os mesmos FLAGRADOS juntos já horas antes dos ilícitos, no Condomínio [...], em que "RAFINHA" estava hospedado, sendo constatado ainda que os 03 (três) saíram juntos na TOYOTA HILUX DIAMOND SW4 [...] no momento anterior à ocorrência dos ilícitos”, relata a denúncia, assinada pela promotora Fernanda Carolina Moura Nóbrega.
Rafael foi localizado em Mossoró-RN em 6 de fevereiro, ocasião em que foi constatado que ele estava usando um documento falso. Preso por força de mandado de prisão temporária, ele foi recambiado para Fortaleza.
Já em relação a Roberto Júnior, em 1º de fevereiro, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) identificou-o como passageiro de um ônibus interestadual. A Polícia Civil segue buscando pistas do paradeiro de Gleydson.
Relembre o caso
Assim como os demais acusados de participar da morte de José Wendesom, Rafael e Roberto Júnior (Manaus-AM e Porto Velho-RO, respectivamente) são naturais do Norte do País, conforme descrito na denúncia do MPCE.
Como O POVO já havia mostrado, todos eles faziam parte de um plano patrocinado pela facção criminosa Comando Vermelho (CV) que visava resgatar integrantes do grupo que estavam presos em uma penitenciária cearense. Para isso, os criminosos utilizariam explosivos e fuzis.
Quando foi assassinado, José Wendesom estava, justamente, fazendo o monitoramento de suspeitos de envolvimento no plano de resgate. Os alvos perceberam que estavam sendo monitorados e tramaram a execução do policial penal.
Um colega de José Wendesom, que também fazia o monitoramento, não foi atingido pelos disparos por estar no banco de trás do carro usado pelos policiais penais na campana. Ele reagiu e conseguiu ferir Will Pessoa da Silva, de 25 anos, preso em flagrante um dia após o crime.
James Heyller Gola Souza, de 23 anos, que teria dirigido o carro Volkswagen T-Cross usado na execução, também foi preso em flagrante. Além de Will, Wellison Gonçalves da Silva, o “Pica-Pau”, de 26 anos, foi apontado como autor dos disparos que mataram José Wendesom.
Ele foi morto, ao lado de dois suspeitos de envolvimento no plano de resgate, em intervenção policial ocorrida em 30 de janeiro na comunidade do Oitão Preto, localizada no bairro Moura Brasil. Na ação, além de Wellison, morreram Luan Henrique Bezerra de Souza, conhecido como Buchecha, de 20 anos, e Jéssica Vicente da Silva.
As diligências realizadas pelas Forças de Segurança do Estado ainda resultaram nas prisões de Isaac Lucas Oliveira de Azevedo e Nonato Lopes dos Santos, autuados por crimes como porte ilegal de arma de fogo e tráfico de drogas.
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