Parque Nacional de Jericoacoara abriga mais de 315 espécies de plantas, segundo pesquisa da UFC
Dados da pesquisa, executada por Samuel Rabelo, doutorando da UFC, foram apresentados em workshop
13:31 | Mar. 28, 2025
Pesquisa do Instituto de Ciências do Mar (Labomar) da Universidade Federal do Ceará (UFC) atestou que o Parque Nacional de Jericoacoara abriga mais de 315 espécies de plantas, provenientes da Caatinga, Cerrado, Amazônia e da zona costeira do Brasil.
O resultado faz parte da tese de doutorado sobre a flora do Parque, do pesquisador Samuel Rabelo, integrante do Programa de Ciências Marinhas Tropicais do Labomar/ UFC, sob a orientação do professor Marcelo Moro.
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“Além de atualizar as informações sobre a biodiversidade, estamos confeccionando um guia de campo, com fotos e descrições das plantas e tipo de vegetação do parque, que enriquecerá as trilhas e o ecoturismo no Parque”, afirmou Samuel Rabelo, após realizar expedições por um ano no local.
O trabalho foi exposto em um workshop, nos dias 25 e 27 de março, sobre turismo ecológico e interpretação ambiental em Jijoca de Jericoacoara. No primeiro dia do evento, pesquisadores da UFC apresentaram palestras sobre seus estudos na região.
A organização foi mediada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).
O encontro, intitulado "Área de visitação Serrote/ Pedra Furada: uma proposta de interpretação ambiental", teve como objetivo a criação de um plano para esta área emblemática do Município, que abriga poças de maré, vegetação típica, dunas, cavernas e a icônica Pedra Furada.
Além da UFC, estiveram presentes no evento representantes do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), do Serviço Geológico Brasileiro (SGB), da concessionária Urbia Cataratas, guias locais de ecoturismo e membros do Conselho Comunitário e Empresarial de Jericoacoara.
Turismo em crescimento e desafios para a sustentabilidade
De acordo com o workshop, o Parque Nacional de Jericoacoara é o terceiro mais visitado do Brasil e o mais frequentado das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, recebendo 1, 6 milhão de visitantes em 2024.
Os pesquisadores relatam que apesar da alta demanda, há um enorme potencial a ser explorado nas áreas ambiental e ecológica, contando com planejamento eficaz para atender os moradores e os turistas.
Para Regina Kátia Carneiro, analista ambiental do ICMBio e coordenadora de atividades de interpretação ambiental no Parque, é importante a parceria com o Labomar/ UFC.
"A criação de uma trilha interpretativa é uma estratégia poderosa para sensibilizar sobre a importância da conservação da biodiversidade e das áreas protegidas e enriquecer a experiencia do visitante no parque. A interpretação é uma ferramenta capaz de atrair mais turistas e ao mesmo tempo reduzir os impactos indesejáveis da visitação, garantindo a sustentabilidade ecológica e a continuidade da atividade econômica tão importante para a comunidade local. Para isso, a colaboração com o Labomar-UFC é essencial para o sucesso desse projeto", afirmou.
Demais estudos científicos sobre o Parque Nacional de Jericoacoara
O workshop foi estruturado com palestras, visitas de campo ao Serrote e à Pedra Furada e discussões sobre as propostas de interpretação ambiental nas trilhas.
O professor Tommaso Giarrizzo, visitante sênior do Labomar/ UFC, também compartilhou a pesquisa sobre os impactos ambientais na região, como o lixo marinho e a diversidade de peixes no local.
Tommaso destacou a importância das poças de maré e das piscinas naturais encontradas ao longo do caminho para a Pedra Furada, que são utilizadas nas trilhas e como locais para banhos.
"Esses ambientes são excelentes para atividades de educação ambiental e podem ser explorados para promover o conhecimento sobre a vida marinha, como já temos mais de 20 espécies de peixes e uma rica diversidade de corais, tartarugas e crustáceos", explica o professor.
Uma das propostas é a criação de filmagens subaquáticas em 3D, que poderão ser exibidas em salas interativas nos centros de visitantes do Parque, projetados para os próximos anos, além de integrarem o Museu da Estação Científica Marinha do Labomar/ UFC em Jericoacoara.
Houve ainda palestras sobre arqueologia com a professora Verônica Viana, da UFC, e os servidores do Iphan-CE a respeito do geoturismo e da geodiversidade. A Urbia Cataratas apresentou a infraestrutura de visitação planejada para a região. Os guias locais apresentaram a rota dos cristais e as lendas sobre o lugar.
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