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Jornal

Poder da história

Conheci Eduardo Coutinho em 1986, ele estava exibindo Cabra Marcado Para Morrer no Festival Internacional em São Francisco. Foi um encontro breve em uma recepção do Consulado Brasileiro. Nessa época, nem tinha ideia da sua obra e da sua importância na consolidação do documentário no Brasil. Como estudante de cinema, fiquei impactado com o filme: estava impregnado de vida! Era uma experiência muito nova a possibilidade de fazer cinema sem grande aparato, mas com uma ótima história. Voltamos a nos encontrar em 2002 quando fui chamado para fazer a captação de som direto de um projeto conjunto que Coutinho e João Moreira Salles estavam realizando. Um era Entreatos, dirigido pelo João e o outro Peões, pelo Coutinho. O do João seguia a campanha do Lula por onde ele fosse, até o dia da eleição. O do Coutinho conta a história das pessoas contemporâneas de quando Lula era metalúrgico. Foram semanas intensas, de pequenas descobertas quando pude abraçar meu mito e aprender com ele a importância de escutar o outro, de prestar atenção no que o outro está falando.

Márcio Câmara, diretor do documentário Do Outro Lado do Atlântico