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Jornal

Oralidade do comum

Eduardo Coutinho foi muito importante na minha formação como documentarista por dois motivos: o primeiro foi porque ele foi o primeiro documentarista brasileiro que tive acesso pelo cinema. Ter contato com a forma como ele entendia a estética para o cinema foi motivador, principalmente por sua forma crua de tratar a imagem, por sua objetividade enquanto processo e clareza, e pela importância que ele dava para a oralidade do comum. A segunda razão foi como o que aprendi com seus filmes influenciou no meu trabalho com audiovisual. O que mais me adicionou foi a forma como ele interagia com as pessoas que ele entrevistava, tratava-os claramente como personagens, mas sem abrir mão do respeito e da humanidade, qualidades essenciais na abordagem de um documentarista. Isso me proporcionou uma base, tanto para entender como lidar com as pessoas, quanto para a forma como eu escolheria expor suas vidas para outras pessoas. É com grande pesar que hoje me lembro da sua morte e como ela ocorreu, mas é com igual estima que guardo o grande aprendizado e a enorme admiração que tenho por sua vida e obra.

Bruno Xavier, membro do coletivo Nigéria, que já realizou documentários como Com Vandalismo (2013), Defensorxs (2015) e o ainda inédito Swingueira